sábado, 5 de novembro de 2011

FÊMEA INTRANSITIVA (de ANGELINNA MUNNIZ)

Não procure um objeto

sou intransitiva,

pouco me importa seu exibicionismo cego,

agradam-me poucos advérbios.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

SANITÁRIOS DA VIDA

Nasci bebendo leite,

Cresci roubando goiaba,

Acho que estou menstruado

de tanto comer beterraba.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

BARBRICA

Desfilem suas falsidades
Exaltem suas misérias

Exibam seus nulos poderes

Em passarelas que escondem

Desgraçada pequenez

E exuberantes

Prisioneiras do manicômio estético.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ANGELA (sem acento)

A moça no aeroporto
buscava por um rosto,
embarcou só.
Só, jamais embarcaria
se meu fosse o rosto
que buscava no aeroporto.

CAPITU SOU EU (de ANGELINNA MUNNIZ)

Claro que não, embora há quem afirme eloquente,
Antes fosse, e possuísse tão sublime olhar,
E meu amor arrastasse até o fundo do mar,
De ressaca embriagante, sensato inconsciente.

Não, eu não possuo a inocência de límpida e ardente,
Uma alma, luz, capaz não sou fazer sangrar,
Tudo a ele oferecido, meu corpo no altar
Contempla, o Amor, Senhor, soberano onisciente.

Ah! Quem dera tivesse todo teu esplendor,
Munida de marcante forma feminina
Ser, e em pleno silêncio as barreiras transpor.

Meus cabelos, se eu, tu, fosse, Capitolina,
Enfrentariam o vento em completo rubor,
Incendeias, ó bom vírus, salva-me-vacina.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

MEIA MARATONA DE TOLEDO - RESULTADO (ACORREFOZ)

Desempenho dos atletas da ACORREFOZ na Meia Maratona de Toledo - 23/10/11

MASCULINO
  18º RAFAEL GOMES                                       1º CAT. 16-24   TEMPO 01:14:13
  27º ADALBERTO PEREIRA DOS SANTOS    4º          31-35                 01:16:25
  41º RAMÃO BENITEZ ARCE                          1º           46-50                01:19:35
  66º JOSÉ CARLOS CARZINO                        6º           41-45                01:28:45
  92º SIDCLEI NAGASAWA COSTA               16º           36-40                01:35:06
127º ERNANI ORI HARLOS                             6º            56-60                01:45:01
137º ADILSON BRASIL BARRETO                17º            46-50                01:46:33
139º PAULO SERGIO DARIVA                       19º           41-45                01:46:45
140º ALTAIR DE CARVALHO                          15º          51-55                 01:47:47
152º OTAIR A. RODRIGUES DA PAZ               5º          61-65                01:52:09
153º AIMAR T. MARINHO                                21º         46-50                 01:52:13
156º CARLOS A. MEDEIROS DOS SANTOS 23º          46-50                 01:53:15
157º CARLOS F. FERREIRA DE OLIVEIRA    9º            56-60                01:53:37
158º GUILHERMO CARLOS LOMBARDI         3º           66-70                01:53:37

FEMININO
  20º NILMA CRISTIANE A. RESENDE            6º           25-35                 01:45:54
  24º EDMARA ALVES DE OLIVEIRA               5º          36-40                  01:48:31
  35º CARMEM APARECIDA ARAUJO           10º          36-40                  01:56:49
  41º EDNA FAGUNDES                                   5º          46-50                  01:59:05
  46º ELECI TERESINHA C. DENES                7º          46-50                  02:08:02
  47º SILMARI APARECIDA CAMARGO          4º          41-45                  02:08:40

RÚSTICA 6KM
MASCULINO
  68º MILTON DIVINO DA SILVA                   11º           36-50                      27:26
  95º WILSON DE SOUZA OLIVEIRA            24º           16-35                      29:01

FEMININO
  14º FÁTIMA CRISTINA DA C. S. PAZ           1º            51-                         29:32
  20º HILDA DIEDRICH                                    3º            51-                         31:05


sábado, 22 de outubro de 2011

PLANALTO CENTRAL do BRASIL

     Era um tempo em que nada mais surpreendia. As vidas não rumavam como se queria, a maioria da população se havia acostumado a viver assim, poucos resistiam, e o número destes era cada vez menor.
     Filho de judeus, Gehah sempre fora um risonho estudante, porém passou-se a notar forte mudança no rapaz, que se isolara, vivia pelos cantos padecendo de certa doença. A família preocupou-se ao vê-lo assim, buscou convalescê-lo, procurou ajuda, porém não havia remédio que descobrisse o mal que corroía o jovem.
     Como alternativa, o pai do rapaz o levou a São Roque, o ar interiorano e o afastamento da capital paulista certamente fariam bem ao estudante, porém, não havia cidade tranquila em terras bandeirantes, era impossível se desligar dos acontecimentos da metrópole.
     Um tio de Gehah, ao ver que o jovem caminhava para a morte, ofereceu-se para levá-lo ao Centro-Oeste do país, lá, ele achava possível recuperar o sobrinho, era a última esperança.
     No Planalto Central do Brasil, Gehah foi levado a um homem de poucas palavras, este o olhou e diagnosticou, preparou uma bebida feita com cachaça e diversas raízes vermelhas, deitou-a na boca do rapaz, Gehah que não tinha força sequer para firmar a cabeça, de súbito, levantou-se, no entanto, inclinou-se em seguida; vomitou uma espécie de animal parecida com um cordeiro que, mal tocou o chão, saiu correndo desembestadamente, parecia temer todo o rubro que o cercava.
     - Pode ir meu filho, vá que o mundo é seu – disse o homem que curou o rapaz.
     - Agora me sinto pronto novamente, não temo mais nada – respondeu o jovem.
     Três dias depois, Gehah foi encontrado morto em São Paulo. Seu corpo trazia três balas no peito. Apesar da insistência da família, não pôde ter um sepultamento digno à religião de seus pais. Suicidas não têm esse direito.