Hoje realizei uma oficina de Criação Literária no FLIC - Festival Literário de Cascavel. Participaram alguns alunos e professores de Cascavel e Três Barras. Surpreendi-me positivamente com as análises e textos dos participantes. Enquanto a literatura continuar me surpreendendo é porque vale a pena continuar.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
O METALEIRO
– Você já viu aquele
vizinho novo?
– Aquele que mora no
térreo!
– Que cara esquisito!
Vi hoje pela primeira vez.
– Não, eu nunca tinha
visto... Só ouvia a bagunça dele.
– É, ele é menos
barulhento que a piriguete que morava lá, mas...
– Sim, eu sei, já
estou até arrependida de ter feito ela ser expulsa do prédio. Era
bem melhor ver aquele monte de homens entrando e saindo do que ouvir
essas músicas do satanás.
– Como ele é? Cheio
de tatuagens. Cabeludo. Se fosse mulher, aquele cabelo ficaria lindo,
mas homem com um cabelo daqueles! Tem mais, Otirípse, roupa toda
preta e na camiseta o desenho de uma caveira.
– Não sei a diferença
entre caveira e zumbi, mas é verdade, tinha cabelo e usava roupa.
Acho que ele não sai do cemitério.
– Otirípse! Pode ser
que ele seja daquelas religiões que matam e fazer sacrifício com os
órgãos. Precisamos fazer alguma coisa!
– Agora entendo tudo!
Agora entendo! Por isso que ele foi tão generoso comigo quando
cheguei. Eu carregava duas sacolas, ele disse bom dia, nem respondi,
mesmo assim teve a coragem de abrir a porta do elevador para mim. Fiz
de conta que nem vi. Não dou confiança. Se faz de santo só para me
conquistar. Ele quer meus órgãos. Conheço essa raça! Não me
enrolam! Conheço bem!
– Precisamos dar um
jeito dele sair daqui!
– A Jasmine disse que
ele é professor. Professor? No meu tempo, professor ensinava, não
andava dando mau exemplo. Professor cabeludo não pode. Professor tem
que ouvir música clássica, não gritaria. Por isso que o Bruninho
andava ouvindo essa porcaria de metal. Professor que ouve isso é má
influência.
– Sim, Otirípse, o
nosso neto, o Bruninho, se a gente não cuida, logo quer fazer
tatuagem, colocar “pice”.
– Meu Deus! O que é
isso? Vou chamar a polícia!
– Como não é nada
demais? Olhe lá! Está com as crianças!
– Brincando? Sei!
– Como assim sem
maldade? Não vê! Conquistando os pequenos para tirar proveito. Meu
Deus! Se for um pedófilo! Vou chamar a polícia! Esse criminoso não
pode andar solto por aí!
– Essa historinha de
brincar sem maldade não existe!
– Alô! É da polícia!
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
A PRIMEIRA VEZ A GENTE LOGO ESQUECE
Sempre ouvi falar que
doía. Alguns dizem que chegam a chorar de dor. Antes, não achava
necessário fazer, mas resolvi experimentar. “Que seja o que Deus
quiser!”
Fui chamado para uma
salinha lá no fundo. “Por que tão lá no fundo?”
– Preciso tirar a
camisa? – perguntei.
– Sim.
Deitei-me onde a mulher
me indicou.
– De barriga para
baixo?
– Sim.
A mulher pareceu-me uma
grande profissional, por isso me senti bem relaxado. Deitei e fiquei
esperando.
– Pode abaixar um
pouco mais o calção?
Bom, se é pra fazer,
que seja bem-feito. Pode abaixar.
Cuidadosamente, ela fez
o que havia pedido para eu fazer.
E eu lá, bunda de fora.
Totalmente inofensivo. Pensei: “Agora vai!”
E foi! Um puxão, dois
puxões, vários puxões. E passa algo lá atrás e mais alguns
puxões. Dor? Dor nenhuma. Até estava gostoso, uns beliscõezinhos
que pareciam massagem. Como eu queria que aquilo continuasse por mais
tempo. Troço gostoso esse de se depilar.
Ah! Esqueci de comentar
que minha esposa entrou junto. Acho que ela queria me ver gritando,
olhar nos meus olhos e dizer:
– Tá vendo! Pensa
que é fácil ser mulher!
Bom, tenho que admitir
que entrei lá decidido a não transparecer o sofrimento, mas que
sofrimento? Não teve sofrimento algum, amei essa tal de depilação.
– Doeu, amor? –
perguntou-me quando terminou.
– Um pouquinho!
– Viu como não é
fácil?
– Sim, agora entendo o
que vocês passam!
– Vai querer fazer
novamente?
– Se você me pedir,
faço! Qualquer sofrimento vale a pena para ficar mais bonito para
você.
domingo, 6 de outubro de 2013
A MORTE DA MANHÃ
A manhã
Toda
Pôs-se a preguiçar
Quando chegou
A tarde
Nem percebeu
E morreu
Sem despertar
Toda
Pôs-se a preguiçar
Quando chegou
A tarde
Nem percebeu
E morreu
Sem despertar
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
INSÔNIA
Nem
sonho dormir cedo
estás
sempre a me querer
fazes-me
rolar no colchão
buscar
diferente posição
e
para o teu deleite
só
durmo
após
deixar meu leite
in
Sônia.
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